Roman Abramovich. O adeus ao Chelsea

A Taça da Liga inglesa não contou com um espetador muito especial: Roman Abramovich, proprietário do Chelsea, e amigo pessoal de Vladimir Putin, que entregou no sábado a gestão do clube à fundação do emblema azul.


Com a vida dificultada no Reino Unido, devido às sanções impostas aos russos, fala-se mesmo que o milionário, que obteve recentemente a nacionalidade portuguesa por ser descendente de judeus sefarditas, – processo que está a ser investigado pela Procuradoria Geral da República – pretende vender o Chelsea por uma verba astronómica – em 2003 adquiriu o clube por 155 milhões de euros. Segundo a agência Bloomberg, há empresas dispostas a pagar perto de dois mil milhões de euros pelo Chelsea. 


“Durante os meus quase 20 anos como proprietário do Chelsea, sempre considerei o meu papel como guardião do clube, cujo trabalho é garantir que sejamos tão bem sucedidos quanto podemos ser hoje, bem como construir o futuro, ao mesmo tempo desempenhando um papel positivo na comunidade. Sempre tomei decisões com o melhor interesse do clube no coração. Continuo comprometido com esses valores. É por isso que hoje entrego aos dirigentes da Fundação de caridade do Chelsea a administração e os cuidados do Chelsea”, escreveu o ainda dono do clube.


Quem não gostou da indefinição de Abramovich quanto à condenação do ataque russo à Ucrânia, foi Gary Neville, lenda do Manchester United, agora comentador desportivo. “Penso que foi uma abordagem cobarde, ao entregar um passe hospitalar às boas pessoas da direção da caridade e da fundação, quando é claro que continua a gerir o lado futebolístico do clube, com a Marina [Granovskaia] e o Petr Cech”, disse.


“É impossível que a fundação de caridade do Chelsea esteja a gerir o clube, e não percebo ao certo por que é que Roman Abramovich emitiu aquele comunicado. Se queria emitir um, teria de ser sobre se apoia a guerra na Ucrânia ou não”, acrescentou o antigo lateral direito do United.


Uma das primeiras grandes decisões de Abramovich foi contratar José Mourinho, que acabara de ganhar a Liga dos Campeões pelo FC Porto. Mourinho apresentou-se como o Special One, e  no primeiro ano tornou-se campeão, algo que o clube não conseguia há mais de 50 anos. E aqui recordo um episódio que vivi no então centro de estágios do Chelsea, em 2004, quando com a jornalista Isabel Paulo e o fotógrafo António Pedro Ferreira fomos entrevistar José Mourinho.


A conversa estaria agendada para as 11 da manhã, mas o assessor de então de Mourinho, Eládio Paramés, comunicou-nos que a entrevistas deveria ser atrasada devido a uns imprevistos. Enquanto aguardávamos pela decisão final – a conversa ficou marcada para a parte da tarde, num hotel ao lado do estádio – vimos chegar uma série de limusinas, fazendo-nos lembrar um filme de gangsters.


Até que no meio de tal aparato, e no meio das várias viaturas, saiu Roman Abramovich, rodeado de muitos guarda-costas. Estava explicado o atraso na entrevista. Já em 2004 o homem era uma personagem controversa.


Certo é que nos 19 anos de liderança do agora luso-russo o Chelsea conquistou 19 títulos, entre os quais duas Ligas dos Campeões.







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